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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

 

 "Brasil vem avançando no combate à discriminação racial", diz Secretário de políticas de igualdade social.

 

 

Em entrevista ao Repórter Brasil, no último dia 21, o secretário executivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Giovanni Harvey, disse que nos últimos dez anos as políticas públicas ajudaram no enfrentamento da discriminação racial. 


Assista ao vídeo nos seguintes links: 

 

http://bit.ly/OKIMFa

http://www.ebc.com.br/cidadania/galeria/videos/2014/03/brasil-vem-avancando-no-combate-a-discriminacao-racial-diz

 

 

Postado por UMBERTINO ANTONIO DE CARVALHO NETO

 

 

 

quarta-feira, 21 de maio de 2014


#SOMOSTODOSMACACOS



Recentemente vislumbramos, nos incomodamos e quem sabe até mesmo participamos de uma manifestação coletiva nas redes sociais, após uma postagem do jogador de futebol Neymar, onde demonstrou indignação diante do ato de racismo sofrido pelo jogador Daniel Alves, na Espanha. 

A atitude do Neymar ganhou reconhecimento e seguidores, tanto famosos como da população em geral. Diante da amplitude da ação é possível perceber a ferramenta que a internet pode ser. Entretanto, está também pode querer camuflar um falso entendimento de que todas as informações e opiniões abrangem todos os brasileiros. Criando a ideia errônea de amplitude e erradicação do racismo. Para aprofundamento desta reflexão, sugerimos a leitura do artigo da escritora Cora Rónai.

Contra a discriminação

Por Cora Rónai em 06/05/2014 na edição 797

Reproduzido do Globo, 2/5/2014; intertítulo do OI
      
Esta semana [passada], enquanto a internet discutia se #somostodosmacacos ou #somostodosbananas, um pequeno grupo muito especial de pessoas, reunidas sob os auspícios da Unicef no Berkman Center for Internet & Society, da Universidade de Harvard, aprofundava a questão: o que é que se pode fazer, efetivamente, para acabar com a discriminação, essa irmã gêmea igualmente horrenda do racismo? Como dar voz às comunidades carentes, às favelas, às tribos, às áreas mais frágeis da sociedade?

Todos sabemos que é conversando que a gente se entende – mas, para que esse entendimento seja possível, é preciso, antes, que a conversa se dê em pé de igualdade, e que todos sejam ouvidos. Nisso, infelizmente, o universo digital ainda deixa tanto a desejar quanto o mundo em que (fisicamente) vivemos. Basta lembrar que boa parte do planeta ainda não tem acesso à internet; e que ter este acesso é apenas um primeiro passo.

O Digitally Connected reuniu pesquisadores, ativistas e jovens comunicadores de diversos países para pensar sobre como melhorar e democratizar o uso da internet para quem mais precisa dela.

O Brasil foi representado por Rene Silva, que criou o jornalzinho Voz da comunidade no Complexo do Alemão quando era criança e hoje, aos 21 anos, já tem larga experiência em comunicação, e por Paulo Rogério Nunes, do Instituto Mídia Étnica, uma organização modelar no combate ao racismo na mídia. Paulo Rogério é editor do Correio Nagô, blog de notícias dedicado a diversidade e direitos humanos. Ele escreve para a revista America’s quarterly sobre inclusão social no Brasil. Paulo está testando, com jovens quilombolas da Ilha da Maré, na Bahia, uma tecnologia pioneira chamada Vojo, que prescinde de smartphones, computadores ou tablets para o acesso à internet. Conversei com ele, por e-mail, sobre o Digitally Connected: valeu a pena?

“Foi muito positivo”, avaliou. “Saímos com muitos contatos e ideias. No caso do Vojo, estamos tentando envolver pesquisadores do MIT e de Harvard, bem como fazer cooperação com outros países: já estamos em contato com grupos que trabalham na Colômbia e na Etiópia. A ideia também é nacionalizar o projeto, tornando a ferramenta disponível a outras comunidades, especialmente rurais e discriminadas.”

Violência de todos os tipos

Um dos grandes problemas do mundo digital é a assimetria nas relações entre o que hoje se denomina Norte global, a parte teoricamente mais desenvolvida do planeta, e Sul global, a sua contraparte ainda em desenvolvimento.

“O evento discutiu como criar relações mais simétricas, a partir da ideia de que há muitas tecnologias criadas no Sul global que são mais representativas, e que podem ser usadas em países com problemas similares”, observa Paulo Rogério. “No caso do Vojo, a tecnologia não foi desenvolvida no Sul, mas está sendo adaptada aqui, e a ideia é que o Brasil seja o país a liderar o seu desenvolvimento.”

Outro problema: não basta dar às pessoas a oportunidade de falarem. É preciso lhes dar condições de serem ouvidas. Como resolver isso? “Em relação ao Vojo, a ideia é, justamente, fazer com que as histórias sejam ouvidas. Estamos trabalhando para que rádios comunitárias e públicas, e a mídia de um modo geral, tenham acesso a esses conteúdos e escrevam histórias a respeito.”

Que ninguém espere lendas ou contos de fadas: o que a parte esquecida da Humanidade tem para contar são histórias de desastres ambientais, de remoções forçadas, de desigualdade racial e de violência de todos os tipos.

Cora Rónai é colunista do Globo


Postado por SILVÂNIA BASTOS DA SILVA

terça-feira, 20 de maio de 2014


SERÁ QUE O RACISMO ESTÁ

 EXTINTO EM NOSSO PAÍS?

Vejamos essa interessante reportagem da Revista RAÇA BRASIL que destaca pontos significativos.

O RACISMO ESTÁ CRESCENDO

O relator da ONU encarregado de avaliar a discriminação no mundo, Doudou Diène, diz que o preconceito é cada vez maior em muitos países e que no Brasil ele está profundamente arraigado em toda a sociedade. 

POR DAYANNE MIKEVIS

Quais são as manifestações de discriminação e racismo atualmente? 

A primeira delas é no plano econômico, social e político. Isso inclui a educação, habitação e todos os indicadores sociais. Pode-se verificar no Brasil manifestações concretas e materiais do racismo. Uma das mais importantes é a própria invisibilidade dessas comunidades na estrutura de governo, da economia e dos meios de comunicação. É como se o Brasil vivesse em dois mundos no mesmo país. Há o mundo da rua, multicultural, vibrante e caloroso. Mas no que diz respeito às estruturas de poder, há um Brasil diferente, que não reflete essa diversidade, caracterizado pelo ocultamento de comunidades de ascendência africana e indígena, entre outras. Vi o mesmo nos meios de comunicação. Depois de gostar muito da rua brasileira, as imagens que vejo na TV parecem que vêm do cosmo. Não correspondem à rua. O Brasil tem uma peculiaridade que já observei em outros lugares onde existe também essa discriminação histórica: quando o mapa da organização social e política coincide com o mapa das etnias marginalizadas, é sinal de um racismo estrutural muito forte. Só que o racismo não se resume a isso. Existe também no âmbito cultural, dos valores e das identidades. E aí também percebi que o impacto do racismo é muito forte. Muita gente que efetivamente pertence a determinado grupo não quer ser vista como negra ou de outra determinada etnia. E quando em um país as pessoas se recusam a reconhecer aquilo que elas são é porque a ferida do racismo é muito marcada e a negação de si próprio, de sua identidade, é a expressão dessa discriminação. Percebi também que o aspecto cultural foi usado no Brasil como máscara e como álibi do racismo. Em Salvador, há uma grande vitalidade cultural da comunidade de ascendência africana, como a música, a culinária e o candomblé. No entanto, esse vigor multicultural não se traduziu em uma diminuição do racismo na cidade, nem na sua estrutura política.

Quais as são as soluções para o problema? 

O Brasil fez um esforço considerável na elaboração de um status jurídico contra o racismo, pela legislação, pela criação de estruturas no aparelho de Estado, em especial a Secretaria pela Igualdade Racial, Seppir, com políticas de ação afirmativa e, sobretudo, no aspecto jurídico. Não há dúvida de que mostra uma vontade de acabar com o racismo. A lei e a constituição brasileira são os documentos que o Brasil se deu para combater o racismo de uma maneira clara e firme. A única questão é a aplicação dessa legislação. Vi duas realidades muito complexas no Brasil. De um lado, conheci pessoas com vontade de lutar contra a discriminação. Eu sei, por exemplo, o que acontece nos bancos e a maneira como o Ministério Público se empenha em fazer com que a lei seja respeitada. Mas encontrei entre dirigentes locais e nacionais, altos funcionários da Polícia Federal e alguns juízes nos Estados não apenas a velha desculpa da democracia racial, mas também a falta de empenho em aplicar a política federal de combate ao racismo. É preciso que a vontade política expressa na esfera federal seja aplicada no plano regional.

Revista RAÇA BRASIL – Editora Escala. Texto retirado do site UOL em 04 de maio de 2014. 

Disponível em: http://racabrasil.uol.com.br/Edicoes/93/artigo12649-1.asp/


Postado por DAIANADE SOUZA FRANCO MILANI