Violência racial – A tentativa de redução do ser negro
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Por Gustavo Fernandes e Fernando Monteiro
Texto disponível em: http://daslutas.wordpress.com/2014/06/19/violencia-racial-a-tentativa-de-reducao-do-ser-negro/
Nas últimas décadas, a desigualdade racial existente no Brasil foi
evidenciada por inúmeros estudos estatísticos, tendo como marco
referencial as pesquisas de Nelson do Valle Silva e Carlos Hasenbalg,
ambas de 1979. A antes idolatrada democracia racial foi desta forma
desmascarada como mito, pois não condizia com os achados de pesquisa
publicados por esses estudos, que indicava a existência de um processo
histórico e persistente de marginalização do negro na hierarquia
socioeconômica vigente.
Contudo, as causas e consequências dessa desigualdade ainda não são
objetos de consenso dentro do âmbito acadêmico, uma vez que a denúncia
dessa segregação veio acompanhada de um contraponto: a noção de que,
embora exista racismo na sociedade brasileira, em se tratando de
relações de sociabilidade e convívio entre brancos e negros, o Brasil
ainda estaria em uma posição mais privilegiada se comparado a países que
tiveram uma história de intensos conflitos e violência interracial,
como as leis Jim Crow nos Estados Unidos e o Apartheid na África do Sul.
Todavia, relatórios publicados nos últimos anos evidenciam um fenômeno
contraditório a essa noção, o genocídio do povo negro, decorrente não só
da formulação de políticas públicas que deixam de contemplar esse
segmento da população, o que poderia ser enquadrado como “racismo
institucionalizado”, mas também da marginalização histórica que aflige a
população negra que a enclausura em espaços flagelados pela miséria e
pela insalubridade.
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| Imagem disponível em: www.geledes.org.br |
A partir desses achados um novo tipo específico de violência surge: a
violência racial, ou seja, aquela cujos processos e consequências se
direcionam a um grupo racial em particular, no caso, a população negra.
Rodnei Silva e Suelaine Carneiro, autores do relatório Violência Racial, uma leitura sobre os dados de homicídios no Brasil,
apontam de forma pertinente de que a violência contra o negro não se
esgota apenas no homicídio por ele sofrido, uma vez que “a preocupação
com a violência deveria ir além da brutalidade que se encerra na morte.
Ela deveria ser apreendida também no desrespeito, na negação, na
violação, na coisificação, na humilhação, na discriminação [do negro].”
Acreditamos ser por essa perspectiva que devemos discutir a violência a
qual está submetida a população negra, de modo a poder englobar todos os
tipos de violência que esse segmento populacional sofre por conta de
sua posição social, tanto física quanto simbólica.
Um exemplo flagrante de violência racial e que tomou os noticiários nos
últimos meses, tanto da mídia tradicional corporativa quanto nos
espaços virtuais construídos pela mídia alternativa, o midiativismo, se
trata das consequências causadas pela militarização em curso da
periferia e da favela, que acaba resultando no acirramento dos conflitos
nesses espaços, com maior número de desaparecimentos, autos de
resistência e homicídios registrados. Vale destacar que tal violência
atinge toda a população das favelas, incluindo brancos pobres; contudo, o
processo histórico que envolve intrinsicamente a relação do povo negro
com a favelização torna essa população alvo prioritário imposta pelo
desenvolvimento da militarização.
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Postado por Suellen De Jesus Reis


